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O CONSTRUTIVISMO

PIAGET mostra como o homem, logo que nasce, apesar de trazer uma fascinante bagagem hereditária que remonta a milhões de anos de evolução, não consegue emitir a mais simples operação de pensamento ou o mais elementar ato simbólico. Vai mostrar ainda que o meio social, por mais que sintetize milhares de anos de civilização, não consegue ensinar a esse recém-nascido o mais elementar conhecimento objetivo. Isto é, o sujeito humano é um projeto a ser construído; o objeto é, também, um projeto a ser construído. Sujeito e objeto não têm existência prévia, a priori: eles se constituem mutuamente, na interação. Eles se constroem. Como?

 

O sujeito age sobre o objeto, assimilando-o: essa ação assimiladora transforma o objeto. O objeto, ao ser assimilado, resiste aos instrumentos de assimilação de que o sujeito dispõe no momento. Por isso, o sujeito reage refazendo esses instrumentos ou construindo novos instrumentos, mais poderosos, com os quais se torna capaz de assimilar, isto é, de transformar objetos cada vez mais complexos. Essas transformações dos instrumentos de assimilação constituem a ação acomodadora. Conhecer é transformar o objeto e transformar a si mesmo. (O processo educacional que nada transforma está negando a si mesmo.) O conhecimento não nasce com o indivíduo, nem é dado pelo meio social. O sujeito constrói seu conhecimento na interação com o meio tanto físico como social.

 

Essa construção depende, portanto, das condições do sujeito – indivíduo sadio, bem-alimentado, sem deficiências neurológicas etc. – e das condições do meio – na favela é extremamente mais difícil construir conhecimentos, e progredir nessas construções, do que nas classes média e alta.

 

PIAGET derruba a ideia de um universo de conhecimento dado, seja na bagagem hereditária (apriorismo), seja no meio (empirismo) físico ou social. Criou a ideia de conhecimento-construção, expressando, nessa área específica, o movimento do pensamento humano em cada indivíduo particular, e apontou como isto se daria na Humanidade como um todo.

 

A Epistemologia Genética exerce, também, sua autocrítica no sentido de ampliar a compreensão do que significa o “objeto”, se entendido como o mundo das relações sociais, no sentido do conflito sócio-cognitivo ou das representações sociais da inteligência, pois a vida social não pode continuar a ser entendida simplesmente como “coordenação de operações individuais”.

 

 

Construtivismo hoje significa isto:

 

a ideia de que nada, a rigor, está pronto, acabado, e de que, especificamente, o conhecimento não é dado, em nenhuma instância, como algo terminado. Ele se constitui pela interação do Indivíduo com o meio físico e social, com o simbolismo humano, com o mundo das relações sociais; e se constitui por força de sua ação e não por qualquer dotação previa, na bagagem hereditária ou no meio, de tal modo que podemos afirmar que antes da ação não há psiquismo nem consciência e, muito menos, pensamento.

 

 

O que é então construtivismo?

 

Construtivismo hoje significa isto: a ideia de que nada, a rigor, estar pronto, acabado, e de que, especificamente, o conhecimento não é dado, em nenhuma instancia, como algo terminado. Ele se constitui pela interação do Indivíduo com o meio físico e social, com o simbolismo humano, com o mundo das relações sociais; e se constitui por força de sua ação e não por qualquer dotação previa, na bagagem hereditária ou no meio, de tal modo que podemos afirmar que antes da ação não há psiquismo nem consciência e, muito menos, pensamento.

 

 

O que construtivismo, não é?

 

Construtivismo não é uma prática ou um método; não é uma técnica de ensino nem uma forma de aprendizagem; não é um projeto escolar; é, sim, uma teoria que permite (ré) interpretar todas essas coisas, jogando-nos para dentro do movimento da História – da Humanidade e do Universo. Não se pode esquecer que, em PIAGET, aprendizagem só́ tem sentido na medida em que coincide com o processo de desenvolvimento do conhecimento, com o movimento das estruturas da consciência. Por isso, se parece esquisito dizer que um método é construtivista, dizer que um currículo é construtivista parece mais ainda.

 

 

O construtivismo na educação:

 

Entendemos que construtivismo na Educação poderá ser a forma teórica ampla que reúna as várias tendências atuais do pensamento educacional. Tendências que tem em comum a insatisfação com um sistema educacional que teima (ideologia) em continuar essa forma particular de transmissão que é a Escola, que consiste em fazer repetir, recitar, aprender, ensinar o que já́ está pronto, em vez de fazer agir, operar, criar, construir a partir da realidade vivida por alunos e professores, isto é, pela sociedade – a próxima e, aos poucos, as distantes. A Educação deve ser um processo de construção de conhecimento ao qual acorrem, em condição de complementaridade, por um lado, os alunos e professores e, por outro, os problemas sociais atuais e o conhecimento já́ construído (“acervo cultural da Humanidade”).

 

 

O que é o conhecimento?

 

O professor conhece uma ou mais áreas de conhecimento. Ao ser perguntado, porém, sobre a natureza desse conhecimento, reage, meio espantado, porque a pergunta é inusitada. O professor ensina conhecimento, mas, ao ser perguntado sobre o conhecimento, espanta-se como se a pergunta não fizesse sentido ou fosse descabida. Ao responder sobre “o que é o conhecimento”, responde ao nível do senso comum, isto é, como qualquer pessoa que só́ utiliza sua inteligência para resolver problemas do cotidiano. Isto acontece com professores da Educação Infantil, de Ensino Fundamental e Médio e, do mesmo modo, com professores universitários, incluindo os de pós-graduação stricto sensu.

 

 

O que é o objeto?

 

O professor afirma que o conhecimento é algo que entra pelos sentidos – algo que vem de fora da pessoa, portanto – e se instala no indivíduo, independentemente de sua vontade, é sentido por esse indivíduo como uma “vivência”. A pessoa, o indivíduo ou, de modo geral, o sujeito não tem mérito nisso, é passivo. O objeto, isto é, o conjunto de tudo o que é não-sujeito, pouco ou nada tem a ver com isso. Esse modo de entender o aparecimento, a gênese do conhecimento num indivíduo, é chamado de empirismo podemos dizer que empiristas são aqueles que pensam que o conhecimento acontece porque nos vemos, ouvimos, tateamos etc., e não porque agimos. O conhecimento será́, então, sensível no começo, abstrato depois. Na Psicologia, é a teoria da associação entre estimulo e resposta que constitui a explicação própria do empirismo.

 

 

Ampliação ou construção da estrutura do pensamento:

 

O estudante faz isto precisamente pelo esse processo de reflexão. Ao apropriar-se de sua prática, ele constrói – ou reconstrói-as estruturas do seu pensar, ampliando sua capacidade, simultaneamente, em compreensão e em extensão. Essa construção é possível na medida em que ele tem a prática, a ação própria; e, também, na medida em que ele se apropria de teoria (s) suficientemente critica (s) para dar conta das qualidades e dos limites de sua prática. Essas duas condições são absolutamente indispensáveis para o avanço do conhecimento, para a ruptura com o senso comum na explicação do conhecimento. Deste ponto de vista, o conhecimento não é dado nem nos objetos (empirismo) nem na bagagem hereditária (apriorismo).

 

 

Como ocorre a construção:

 

O conhecimento é uma construção. O sujeito age, espontaneamente – isto é, independentemente do ensino, mas não independentemente dos estímulos sociais-, com os esquemas ou estruturas que já́ tem, sobre o meio físico ou social. Retira (abstração) deste meio o que é do seu interesse. Em seguida, reconstrói (reflexão) o que já́ tem, por força dos elementos novos que acaba de abstrair. Temos, então, a síntese dinâmica da ação e da abstração, do fazer e do compreender, da teoria e da prática. É dessas sínteses que emerge o elemento novo, sínteses que o apriorismo e o empirismo são incapazes de processar porque só́ valorizam um dos polos da relação. Na visão construtivista, sujeito e meio tem toda a importância que se pode imaginar, mas essa importância é radicalmente relativa.

 

 

Implicações da Epistemologia Empirista:

 

O que isto tem a ver com a sala de aula? Se a concepção de conhecimento do professor, a sua epistemologia -na maior parte das vezes inconsciente, como vimos-for empirista, ele tenderá a seguir um determinado caminho didático-pedagógico. Ele ensinará a teoria e exigirá que seu estudante a aplique ã prática, como se a teoria originariamente nada tivesse a ver com práticas anteriores, e a prática não sofresse nenhuma interferência da teoria que a precedeu. Exigirá, ainda que seu aluno repita inúmeras vezes, a teoria, até́ memorizar, pois ele é, originariamente, tabula rasa, folha de papel em branco, um “nada” em termos de conhecimento. Essa memorização consistirá, necessariamente, num empobrecimento da teoria, além de impedir que algo novo se constitua. É assim que funciona a quase totalidade de nossas salas de aula.

 

 

Implicações da Epistemologia Arborista:

 

Se a epistemologia do professor for arborista, ele tenderá a subestimar o tremendo poder de determinação que a estrutura social, em particular a linguagem, tem sobre o indivíduo. Conceberá esse indivíduo como um semideus que já́ trazem si toda a sabedoria ou, pelo menos, o seu embrião. É claro que, inconscientemente, aceitará que só́ certos estratos sociais tenham tal privilegio: os não-índios, os não-negros, os não-pobres etc. Um ensino determinado por tais pressupostos tenderá a subestimar o papel do professor, o papel do conhecimento organizado etc., pois o estudante já́ traz em si o saber.

 

 

Implicações da Epistemologia Genética:

 

Se, no entanto, o professor conceber o conhecimento do ponto de vista construtivista, ele procurará conhecer o estudante como uma síntese individual da interação desse sujeito com o seu meio cultural (político, econômico etc.). Não há́ tabula rasa, portanto. Há uma riquíssima bagagem hereditária, produto de milhões de anos de evolução, interagindo com uma cultura, produto de milhares de anos de civilização. Segundo PIAGET, conforme vimos, o aluno é um sujeito cultural ativo cuja ação tem dupla dimensão: assimiladora e acomodadora. Pela dimensão assimiladora ele produz transformações no mundo objetivo, enquanto pela dimensão acomodadora produz transformações em si mesmo, no mundo subjetivo. Assimilação e acomodação constituem as duas faces, complementares entre si, de todas as suas ações. Por isso, o professor não aceita que seu aluno fique passivo ouvindo sua fala ou repetindo licores que consistem em dar respostas mecânicas para problemas que não assimilou (transformou para si).

 

 

O papel da escola:

 

O movimento próprio do processo de construção do conhecimento deve impregnar a sala de aula, em particular, e o sistema educacional, em geral. A sala de aula deve ser inserida na História e no espaço social. O compromisso da Escola deve ser o de construir o novo, superando o arcaico, e não o de repetir, interminavelmente, o antigo.

 

 

Aplicação da teoria:

 

O mecanismo de aquisição de conhecimento consiste em vincular dois elementos básicos da teoria de Piaget: equilíbrio (o que o aluno sabe, tendo em vista suas estruturas cognitivas já́ desenvolvidas) e desequilíbrio (situação nova, novo aprendizado, implicando em estruturas cognitivas a ser desenvolvidas). A ação do sujeito sobre o objeto desconhecido lhe permite avançar na construção do conhecimento (busca do equilíbrio), recuperando o equilíbrio num nível superior ao que era permitido pela organização de esquemas que precederam a perda do equilíbrio (situação nova).

 

 

O trato com o erro do estudante:

 

O Construtivismo enfatiza a importância do erro, não como um tropeço, mas como um trampolim na rota da aprendizagem. O erro do aluno e tomado como um valioso indicador dos caminhos percorridos por ele. O erro passa a ter um caráter construtivo, isto é, serve como indicador para se buscar a conclusão correta e se planejar e/ou re-planejar. A presença dos erros deve ser entendida como um diagnóstico a respeito do nível de desenvolvimento da inteligência do sujeito, e não como a sacralização dele.

 

 

O estudante e o erro:

 

O erro, considerado por La Faille como rica fonte de aprendizagem, somente contribuirá́ para o enriquecimento do aluno e possibilidade de avanço, se for observável pelo próprio estudante, o que não significa apenas mostra-ló que errou, pelo contrário, é preciso que o aluno compreenda o porquê̂ errou. Sendo assim, o professor deve procurar compreender como o aluno está raciocinando. Quando o aluno explica como fez, o que pensou, o professor tem uma excelente oportunidade para perceber as relações que o aluno faz; as conclusões a que chega e, que quando ocorre o erro, ver exatamente em que situação se deu o conflito cognitivo (método clínico).

 

 

O estudante, o erro e a avaliação:

 

A avaliação não deve ocorrer, apenas, após a assimilação de uma determinada quantidade de conteúdo, ela deve ser entendida como um processo contínuo, diferente do sistema de provas periódicas do ensino convencional. A avaliação tem um caráter diagnóstico – avaliação como processo investigativo – e não de punição de certo ou errado, de exclusão. Além disso, o professor, também, se auto avalia e modifica seus rumos.

 

 

Ponte entre construtivismo e sócio-interacionismo:

 

O Construtivismo desestimula a competição entre os alunos, repousando na cooperação entre eles, uma de suas linhas mestras. Na prática, cabe ao professor investir nas relações interpessoais e, sobretudo, no desafio pessoal como motivação para o estudante ir sempre avante nas trilhas do conhecimento. A sala de aula é um espaço com regras objetivas de funcionamento e de convivência em que todos aprendem com todos, rompendo-se com a ideia de classificação e hierarquia. Valoriza-se a ajuda mútua e a aprendizagem cooperativa.

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